Ciências

1 ano de pandemia - UFMT divulga nota técnica


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Documento está disponível para download

Passado um ano que a Organização Mundial de Saúde (OMS) reconheceu a Covid-19 como uma pandemia, a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em parceria com o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), publicou uma Nota Técnica registrando o histórico da doença no estado e possíveis caminhos que a mesma pode seguir no futuro.

Infelizmente, o momento de divulgação do documento não poderia ser outro, uma vez que o estado -- e todo o país, na verdade -- passam pelo pior período da crise até agora.

De acordo com a nota, até 13 de março deste ano, Mato Grosso tinha registrado 270 mil casos confirmados de Covid-19 e 6.200 óbitos, resultando em uma taxa de mortalidade de 180 pessoas a cada 100 mil habitantes e letalidade de 2,3%. Hoje (24), este número já saltou para 289 mil casos e 6.878 mortos.

No documento, chama a atenção um gráfico mostrando um aumento rápido no número de hospitalizações e óbitos entre junho e julho de 2020. De acordo com a professora Lígia Regina de Oliveira, do Instituto de Saúde Coletiva (ISC), a explicação para isso pode estar no relaxamento do isolamento social, levando a uma rápida elevação no número de novos casos e consequente esgotamento do número de leitos de UTI.




"A ocupação desses leitos passou de cerca de 20% no final de maio, para acima de 90% no final de junho. A partir daí, ficamos por seis semanas consecutivas com esgotamento no sistema de saúde, formando uma fila de espera, o que pode ter contribuído para a elevada mortalidade", explicou.

Também não poderia ser outro o momento da pandemia, uma vez que, desde o início, as medidas necessárias para controlar a disseminação da doença e salvar vidas já eram conhecidas e, apesar disso, foram em boa parte ignoradas, quando não sabotadas, conforme apontam os pesquisadores.

"Temos evidências científicas robustas mostrando o importante efeito de medidas de contenção e mitigação adotadas quando observado o aumento da transmissão da doença", afirma a professora e continua.

"O desenvolvimento de vacinas, em curto tempo, foi um dos importantes avanços da ciência para o controle da doença, contudo, sua disponibilidade ainda é desigual e quantitativamente insuficiente. Até atingir as coberturas vacinais necessárias para o controle da covid-19, a prevenção continua sendo a melhor estratégia para o seu controle. Medidas simples como o uso de máscara, higienização das mãos e distanciamento físico e social são fundamentais e provavelmente serão mantidas por um longo tempo. No cenário que nos encontramos, a adoção de medidas mais rigorosas de restrição da circulação e das atividades não essenciais também é indicada. Concomitante, a testagem oportuna de casos suspeitos e seus contatos também é recomendada para o controle da doença."

Em sua conclusão, a nota destaca que mais da metade dos óbitos ocorridos entre crianças e adolescentes e quase 40% dos ocorridos entre adultos foram de indivíduos sem comorbidades referidas, o que ressalta a mortalidade para além do chamado "grupo de risco".

Quanto a este dado, a pesquisadora lembra que "apresentar um risco menor de óbito não significa ausência de risco. Não se pode ignorar que cerca da metade das internações ocorridas nos primeiros meses de 2021 e quase ⅓ dos óbitos foram de pessoas entre 20 e 59 anos", concluiu.


Taxa de incidência, hospitalização e mortalidade e letalidade da doença em MT para diferentes grupos etários, sendo crianças 1.546 / 51,6 / 4,7 e 0,3%; Adolescentes 3.079 / 41,2 / 2,8 / 0,1%; adultos 10.067 / 575,9 / 92,8 e 0,9% e Idosos 8.785 / 2.615 / 1.064 e 12,1%


O documento está disponível para consulta de todos na página dedicada à Covid-19 do site da UFMT, junto de outras notícias sobre pesquisas e projetos de extensão e outras notas técnicas sobre a situação da doença no decorrer do tempo.

Além da professora Lígia Regina de Oliveira, fazem parte da equipe de autores os professores Moisés dos Santos Cecconello, do Instituto de Ciências Exatas e da Terra (ICET,) Amanda Cristina de Souza Andrade e Ana Paula Muraro, do ISC, Emerson Soares dos Santos do Instituto de Geografia, História e Domcumentação (IGHD) e Ruan Carlos Ramos da Silva, do Laboratório de Geotecnologias do IFMT.


PORAndré Faust
Jornalista

DATAMar 25, 2021, 9:22:00 AM

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