A Secretaria de Direitos Humanos (SEDH) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), por meio da Coordenação de Acessibilidade e Saúde Mental (CASME), realizou nesta sexta-feira (29) uma roda de conversa com coordenadores de cursos para tratar da inclusão de alunos neurodivergentes. As neurodivergências, representadas pelo autismo e outras condições, compõem o cotidiano de diferentes cursos da UFMT.
Vanessa Furtado, coordenadora de Acessibilidade e Saúde Mental, explica que o encontro busca discutir iniciativas para ampliar a inclusão de neurodivergentes. Pessoas neurodivergentes são pessoas que tem uma formaçao cerebral diferente do que é considerado típico, como pessoas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Atualmente a noção engloba também Transtornos Específicos de Aprendizagem e Transtornos do Desenvolvimento Intelectual.
“O objetivo dessa reunião é a gente poder fazer uma roda de conversa, esclarecer sobre direitos das pessoas e de estudantes autistas. O que a gente, como colegiado de curso, pode fazer para adaptar material, tornar a presença das pessoas mais acessível e de fato inclusiva. Então a gente trouxe palestrantes, que são da associação de mães e amigos de pessoas com doenças raras, para poder trazer algumas informações legislativas das leis e também ajudar a pensar nesse processo”, relata a coordenadora.
Para a presidente da Associação dos Amigos dos Autistas Neurodiversos e Pessoas com Doenças Raras (Amand), Helena Amaral, é preciso abordar a pessoa neurodiversa na universidade e na sociedade. “Precisamos pensar políticas públicas dentro e fora da universidade. Nós temos muitos alunos neurodiversos dentro da universidade, o que acaba se tornando uma dificuldade dentro do aprendizado, tanto para os colegas quanto para eles também. Então, o entendimento do que é autismo é muito importante. A universidade é que forma a maioria dos profissionais e a gente precisa então que esses profissionais saiam daqui preparados para atuar lá fora em relação às neurodiversidades”, reflete.
Entre os coordenadores de curso há a compreensão de que há um público numeroso a ser atendido na UFMT. Para a professora Sebastiana Almeida, coordenadora do curso de Letras Libras trata-se de um momento muito importante para a universidade. “É um momento em que a gente vai buscar esse conhecimento, tirar dúvidas acerca dos alunos neurodivergentes que nós temos em sala de aula. Hoje a Universidade Federal tem um número bastante significativo, crescente a cada dia, e que de certa forma traz para os nossos professores, tanto aqui na universidade quanto lá na educação básica, um grande desafio. Um desafio não só no processo de ensino-aprendizagem, mas no processo de inter-relação, no processo de empatia”, aponta a docente.
A professora enfatiza ainda a necessidade de criação de um planejamento da universidade para o desenvolvimento de estratégias que atendem a necessidade de alunos neurodiversos. “Inclusão não é só o acesso, mas sim a permanência desse aluno com igualdade de direito e com a efetivação do processo ensino-aprendizagem”, finaliza a professora Sebastiana Almeida.