PORCarlos Rocha
Jornalista

DATA04 de Agosto de 2022

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UFMT Ciência

Pesquisadores cobram ações para combater varíola dos macacos

Fiocruz
Professora da UFMT assina artigo em conjunto com seis estudiosos

Pesquisadores brasileiros cobram a adoção de ações multissetoriais e coordenadas no país para o enfrentamento da Varíola dos Macacos, causada pelo vírus Monkeypox por parte dos órgãos responsáveis pela saúde pública nacional. Estudiosos de diferentes Estados brasileiros publicaram recentemente o artigo “Monkeypox: o que estamos esperando para agir?” com um breve histórico da doença, classificada como Emergência em Saúde Pública de Interesse Internacional pela Organização Mundial da Saúde.

Entre os pesquisadores que assinam o artigo está a professora do Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Ana Paula Muraro. A professora é epidemiologista e membro da Comissão de Epidemiologia da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). A professora enfatiza a necessidade de uma organização adequada no enfrentamento à doença. “Com a experiência que acumulamos no enfrentamento da pandemia de COVID-19, já sabemos que ações multissetoriais e coordenadas em todo o território nacional se faz necessária para fortalecer todos os aspectos para enfrentar mais uma emergência de saúde pública”, pontua.

De acordo com a professora, apesar de ser considerada uma doença autolimitada, ou seja, que geralmente apresenta cura espontânea, em alguns casos, pode haver a necessidade de tratamento medicamentoso específico e internação hospitalar específica, sobretudo em pessoas imunossuprimidas. “O Brasil ainda não tem registro dos medicamentos para a doença, bem como as vacinas já disponíveis. O que tem sido uma dificuldade também para os casos que se agravam, sendo já registrado um óbito no país, entre os primeiros registrados fora do continente africano, destaca a professora sobre a necessidade de uma ação rápida, coordenada e abrangente para combater a doença.

O vírus Monkeypox foi descoberto em macacos no ano de 1958 e infectou humanos em 1970, com quadro endêmico na África Central e Ocidental. A transmissão acontece enquanto as pessoas doentes apresentam sintomas, período entre duas e quatro semanas, a partir do contato físico próximo. O artigo assinado pela professora Ana Paula Munaro destaca que o macaco não é o principal reservatório da doença, o que torna a denominação Monkeypox inadequada.

Comunicação adequada para evitar estigmas

A professora Ana Paula Muraro ressalta a necessidade de uma comunicação adequada sobre a Monkeypox por diferentes motivos. Seja para orientar a população no enfrentamento à doença, como também para evitar estigmas sobre o macaco. “Algumas recomendações já foram dadas pela Organização Mundial da Saúde na reunião em que foi declarada a Monkeypox como Emergência em Saúde Pública de Interesse Internacional. Entretanto, consideramos que a própria reclassificação do nome da doença e do vírus é necessária a fim de se evitar rótulos estigmatizantes e discriminatórios, e ações de extermínio animal sem efeito efetivo no combate à doença”, explica a epidemiologista.

Outra medida a ser adotada com urgência, segundo a pesquisadora, é a adoção de medidas que evitem associar a doença a determinados grupos de pessoas. “Além disso, torna-se urgente a implementação de intervenções para evitar a estigmatização e discriminação contra qualquer indivíduo ou grupo populacional”, comenta Ana Paula Muraro. O artigo com os pesquisadores de diferentes universidades aponta que uma série de casos diagnosticados entre abril e junho deste ano, em 16 países, apontou que  98% das pessoas com infecções era homens que fazem sexo com outros homens (HSH) ou bissexuais, com idade mediana de 38 anos.

“Iniciativas de comunicação adequada para profissionais de saúde e para população em geral deve ser realizada de maneira abrangente,  sendo destacado ações de proteção dos direitos humanos, a privacidade e a dignidade dos indivíduos afetados e seus contatos em todas as comunidades”, reforça a professora do ISC da UFMT.

Futuro depende de medidas de controle de transmissão

A equipe de pesquisadores responsável pelo artigo “Monkeypox: o que estamos esperando para agir?” olha o cenário do futuro próximo com reservas, considerando as políticas públicas adotadas para combater a Covid-19. “Se os mesmos erros que ocorreram no enfrentamento da pandemia da Covid-19 se mantiverem nessa nova emergência de saúde pública, salvo as diferenças na dinâmica das doenças, o número de casos continuará a aumentar, como o que vimos nesses últimos 2 meses em que passamos de zero para 1.474 casos”, observa a professora Ana Paula Muraro.

Apesar de tratar-se de uma doença com casos leves, a falta de controle na transmissão pode elevar a gravidade. “A transmissão elevada e muitas vezes não detectada eleva os riscos de ocorrência de casos graves e portanto, mesmo sendo uma doença considerada de baixa gravidade, deve-se adotar medidas coordenadas para controle da transmissão e esforços para o acesso adequado para o acompanhamento e tratamento adequado dos casos e contatos”, finaliza a epidemiologista.


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