PORLiz Brunetto
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DATA14 de Dezembro de 2020

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Ciências

Artigo discute representação fílmica do albino

Laudisseia, servidora pública, em cena do documentário
Laudisseia, servidora pública, em cena do documentário
Trabalho foi publicado em revista científica internacional

Pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) publicaram artigo na Revista Internacional de Arte e Antropologia das Imagens "Cinema & Território", da Universidade da Madeira, em Portugal. A temática da edição foi cultura estética e arte. Intitulado "E... se Bazin e Lefebvre se encontrassem com Freud numa sessão de cinema? Anotações para estudo de caso do albinismo na grande tela", a obra aborda uma reflexão crítica da representação fílmica do albinismo - condição causada pela deficiência na produção de melanina, devido à ausência de pigmentação o sujeito apresenta alterações na cor dos olhos, cabelos e pele, causando uma extrema sensibilidade à luz do sol.

Foi feita uma análise estética da trajetória do albinismo no cinema, que constatou uma representação estereotipada e estigmatizada desse grupo, como violentos, assassinos ou idiotizados. O resultado dessa abordagem é extremamente prejudicial para o convívio em sociedade, provocando a difusão em grande escala de preconceitos por meio da indústria cultural, que explora e lucra – em bilheteria – com essa representação limitada, negativa e, por vezes, grotesca, que exclui os portadores dessa condição hereditária da sociedade urbana contemporânea, afirma o artigo.

“Um público não apenas esquecido, como, de certa forma, repudiado pela população diante da falta de conhecimento sobre o que é o albinismo. Ao não saber sobre a sua etiologias, e, principalmente, a transmissibilidade - ou não – desta condição genética, o albino passa a ser temido, portanto, correndo o risco de compor o "grosso" grupo dos excluídos da nossa sociedade, ou seja, fazem os albinos serem vítimas do estranhamento gerado pelo desconhecido”, ressalta a professora Renata Costa do Departamento de Psicologia, uma das autoras do artigo, sobre a importância dessa temática.

O trabalho apresentou ainda, a partir da obra de Danielle Bertolini – cineasta que vem se consolidando como uma diretora vanguardista, uma mudança de perspectiva em curso sobre essa abordagem.  O premiado curta "Filhos da Lua na Terra do Sol", conta de forma poética a relação entre pessoas albinas – personagens reais na trama – e o sol de Cuiabá, considerada uma das cidades mais quentes do Brasil e propõe uma nova visão estética da representação fílmica do albinismo.

O professor Ney Arruda, da Faculdade de Direito (FD), também autor do artigo, destaca que toda forma de exclusão deve ser estudada e a obra analisada se configura como um marco específico da filmografia crítica brasileira, que promete bons frutos. “Essa ruptura que a Danielle Bertolini propõe é o retorno de um cinema humanista, um humanismo dialético. Me comoveu e impactou muito quando assisti. O trabalho dela ainda vai trazer muita repercussão a nível nacional e internacional, porque trabalha com essas minorias, tem atuado numa faixa de ressonância que é o cinema tradicional Hollywoodiano, que é bilheteira, não pensa, ou se pensa, não tem sucesso”, destaca o docente.

A análise articula, principalmente, a abordagem do filósofo urbanista e antropólogo francês Henri Lefebvre, que abordou a velocidade da exclusão que a urbanização do planeta estava desenvolvendo; do crítico de cinema da escola francesa André Bazin, que propunha um cinema alternativo, para além do aspecto comercial que o cinema estava tomando; e do neurologista alemão, pai da psicanálise, Sigmund Freud, que teorizou sobre o “estranho”, ou seja, sobre todas as formas de estranheza da sociedade humana e quem são, consequentemente, os inseridos na categoria “estranhos”, aqueles excluídos, que não estão convidados para o convívio em sociedade - autor importante para estudar o mal estar civilizatório que se apresenta na atualidade.

A característica transdisciplinar da produção é um dos diferenciais, que articula diferentes áreas do conhecimento para o desenvolvimento de uma pesquisa inédita. “É o princípio universal do que a gente pode chamar de universitas - comunidades formadas por mestres e estudantes, voltadas para o ensino, pesquisa, produção de conhecimento, reflexão e debate - a universidade é uma confluência de várias áreas do conhecimento diferentes”, ressalta o pesquisador, que também leciona na Faculdade de Comunicação e Artes (FCA). “A gente está contribuindo com mais um tijolinho nessa grande construção que é a universidade”, conclui.

A Revista "Cinema & Território" tem nesta edição artigos de pesquisadores de Madri, Valéncia, Santiago de Compostela, Coimbra, Brasília, Maranhão, entre outros. A obra pode ser acessada pelo canal do You Tube do Cine Teatro Cuiabá.


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